Para iniciar a coluna “De Olho na Raposo”, que será um fórum online de discussões sobre Mobilidade e Raposo Tavares,  convidamos Caio e Ruth Portugal, sócios da GP Desenvolvimento Urbano que atua na região da Rodovia Raposo Tavares desde 1979 e foi a empresa parceira da Prefeitura de Cotia na elaboração do Plano de Mobilidade da Raposo Tavares, que está em andamento. 

A GP acompanhou todo o crescimento da região, seus sócios são moradores e usuários da rodovia, tendo construído sua vida profissional, educacional e pessoal nos caminhos dessa que é uma avenida para as cidades de Cotia, Vargem Grande Paulista, Osasco e Carapicuíba.

– Você acha que as melhorias apresentadas pelos governos Estadual e Municipal vão resolver os problemas de trânsito da Raposo Tavares?

Participamos ativamente em todas as etapas do diagnóstico e das soluções de engenharia. A nossa sócia e diretora técnica Arquiteta Ruth Portugal fez um trabalho enorme de compatibilização e conciliação  com a equipe do DER, Prefeitura de Cotia, e Prefeitura de Carapicuíba. 

Os investimentos que serão feitos na Raposo Tavares são parte da solução. Outras intervenções que não são essas anunciadas pelo Governador já estavam previstas nos estudos dos projetos funcionais apresentados em Abril de 2019, tais como a ligação da Avenida José Giorgi ao bairro do Parque São George, assim como a ligação da José Felix com a Avenida São Camilo, são obras que deverão ser realizadas pela Prefeitura de Cotia, e o Secretario Sergio Folha e o Prefeito Rogerio Franco estão empenhados em fazer essas intervenções também.

Além dessas intervenções citadas, a equipe da Secretaria da Habitação tem outros estudos para outros trechos do município, como a ligação do bairro do Atalaia ao centro de Cotia, ou mesmo as integrações de outros sistemas viários. 

Acredito que se houver planejamento, parceria da sociedade, da iniciativa privada, e pensar o longo prazo, será possível melhorar ainda mais a mobilidade da cidade, e a integração com as cidades vizinhas.

 – Se você fosse o responsável pelo projeto de mobilidade da Raposo Tavares, qual trecho seria a sua prioridade (vale citar outros que não foram contemplados)?

Além desse trecho do Km 21 ao Km 30, entendo que as conexões com as cidades vizinhas, como a ligação com Itapevi, Jandira, Vargem Grande Paulista e Embu das Artes, seriam importantes não somente para a mobilidade, mas mesmo para a melhor integração entre essas cidades. Exemplo: Está previsto, finalmente, a execução das obras de pavimentação da Estrada Elias Alves da Costa em Vargem Grande Paulista com a Estrada Engenheiro Rene Benedito da Silva em Itapevi, isso propiciará a conexão de modal rodoviário com transporte da CPTM que está em Itapevi. 

Além disso, entendo que a conexão de sistema de transporte público de alto rendimento (rodoviário mesmo), conectando Cotia à estação de metrô da Vila Sonia auxiliaria também. Mas, principalmente, eu faria intervenções nos bairros de Cotia, que fizessem as interligações sem acessar a Raposo Tavares, isso não somente dinamizaria a integração, como geraria desenvolvimento urbano, prevendo corredores etc…

  – Qual seria, na sua opinião, o modelo ideal de transporte e mobilidade para a Raposo e seu entorno?

Para aqueles que nunca estudaram o transporte sobre trilhos, em especial, o metrô, é importante dizer que no Brasil, esse modelo não para em pé sem subsídios, o custo é absurdamente alto. Por outro lado, temos soluções desenvolvidas pelo Arquiteto Jaime Lener que implantou em Curitiba os corredores com estações que se assemelham ao metrô, com fácil acesso, e muita qualidade, através de ônibus articulados. Nesse sentido, entendo que a interligação dos bairros de Cotia, com as travessias sobre a Raposo em mais trechos (essas já previstas no projeto), e sistemas como o de Curitiba poderiam funcionar, a um custo acessível, desde que planejado e implementado sem interrupções.

As própria conexões entre as cidades, e um acesso fácil a CPTM em Itapevi auxiliaria essa conexão da nossa região a SP.

Acredito que a solução da mobilidade também é a estruturação da “multicentralidades” locais. 

Nossa região cresceu, e ainda absorverá muita gente que aqui virá morar, trabalhar, viver. Se conseguirmos construir e implementar um planejamento físico territorial, com as integrações necessárias de preservação ambiental, conexões viárias, acesso aos equipamentos públicos coletivos, empreendimentos geradores de empregos e renda, construiremos as “multicentralidades” necessárias. 

Ainda temos essa oportunidade. Infelizmente, o crescimento urbano nas margens da Rodovia Raposo Tavares impedem faixas exclusivas de ônibus, o que poderia ter sido uma solução, mas essa não acredito ser viável. 

Trem de superfície, ou mesmo metrô, acho impossível, por conta da necessidade de investimento público ou subsidiado. 

A melhor solução reside em incrementar a conexão entre bairros, gerar as centralidades nos vários bairros. Como ensinam os urbanistas, a melhor solução de mobilidade é conseguir construir a cidade a 15 minutos de qualquer trajeto, e para isso, as conexões têm que ser orientadas pelo poder público, construídas com a participação da iniciativa privada e discutidas com a população.

Finalizando, tanto eu como a minha sócia e irmã parceira participamos nesse projeto e moramos na região, e entendemos que é papel de todos, e não somente dos governos e da administração pública e seus concessionários a busca de qualidade de vida para todos!

Relembrando como tudo começou

“A GP sempre se preocupou com o desenvolvimento sustentável da região, buscando implantar em seus empreendimentos os mais inovadores conceitos de sustentabilidade, sem esquecer do entorno dos bairros e localidades onde os empreendimentos são implementados.  É do nosso DNA, avaliar a infraestrutura existente (Saneamento, áreas verdes, cursos d´água, mobilidade), e através dos empreendimentos propor melhorias que vão além dos limites físicos do empreendimento implantado.

Nesse contexto, em Setembro de 2017 estávamos em processo de aprovação do Loteamento Florada das Laranjeiras que fica no bairro do Aguassaí, acesso pelo Km 53 da Rodovia Bunjiro Nakao em Cotia. Como sempre fazemos, havíamos contratado uma pesquisa para entender o crescimento da cidade de Cotia desde a virada do Milenio. Até aquele momento, constatamos um crescimento, conforme tabela (foto).

 A partir dessa constatação tivemos uma reunião com o Secretário da Habitação, Sérgio Folha, que já estava desenvolvendo com sua equipe e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano estudos sobre a mobilidade na cidade de Cotia. Como o empreendimento que estávamos em aprovação teria uma contrapartida a fazer à Prefeitura, em função da doação da área institucional ter 50% dela destinada à conservação ambiental, propusemos, conforme determina a Lei Complementar 95/2008, em seu Artigo 37 a possibilidade de reverter essa compensação financeira em projetos de estudos sobre a mobilidade que já estavam em andamento.

A proposta não somente foi aprovada pelo Secretário Sergio Folha, como a partir desse momento foi construído um verdadeiro time da prefeitura e da GP para buscar as melhores soluções para os problemas de mobilidade de Cotia.

Contratamos a empresa Canhedo Beppu, e a PA & Associados, além disso participamos em diversas reuniões com o Secretário Folha, a sociedade civil da Granja Viana, a AETEC, e outras entidades, para buscar tudo que já havia sido discutido, e pensado (Think Tank Granja Viana, SOS Raposo, etc…). 

A PA & Associados, empresa especializada em estudo de tráfego, promoveu a coleta de dados do trecho do Km 21 ao Km 30 da Rodovia Raposo Tavares, cadastrando, por sistema automatizado de filmagem e captura das placas dos veículos, e com mais 35 pessoas mensurando e contabilizando, a origem e destino das viagens que ocorriam durante os períodos da manhã, tarde e noite. Com isso, através de um software desenvolvido pela PA, e muito utilizado em estudos de tráfego, foi possível constatar que 60 % do tráfego na Raposo Tavares nesse trecho é local, ou seja, são viagens curtas, nos dois sentidos, SP-Interior, e interior-SP, que levam as pessoas e seus veículos de um lado para o outro da estrada, por falta de conexões viárias. Essa tecnologia permitiu não somente o correto diagnóstico, como também simular todas as propostas que já haviam sido pensadas anteriormente, seja pelo DER, Prefeitura, ou outras iniciativas.

Com base nessa sistemática, a empresa Canhedo Beppu, avaliou todas as possibilidades de construir novas conexões viárias, e mesmo intervenções nos trechos estudados a fim de gerar os projetos funcionais que foram apresentados a equipe técnica da Prefeitura (Secretaria da Habitação), e a equipe técnica do DER.

A fim de dar publicidade a essas soluções, e mesmo formalizar ao Governo do Estado de São Paulo, em 30/04/2019 foi realizado pela Prefeitura de Cotia, com a presença do Secretário de Desenvolvimento Regional Marco Vinholi, e diretores do DER, no teatro da Würth. Nesse evento, foram realizadas várias reuniões com a equipe do DER, tendo sido formalizada a aprovação do projeto funcional das 36 intervenções previstas naquele projeto.

Em Março de 2021, com a recondução do Secretário da Habitação, Sergio Folha, reiteramos a necessidade de dar sequência à implementação desse projeto. 

O Prefeito e o Secretário já haviam feito várias reuniões com o Governador Dória e seu Vice- Governador Rodrigo Garcia, os quais sinalizaram que poderia existir recursos orçamentários para essas obras, entretanto, seria necessário que a Prefeitura de Cotia apresentassem os projetos executivos e as desapropriações dos terrenos necessários à implantação. 

Em decorrência dessa sinalização, fomos convidados pelo secretario Folha  a auxiliá-lo na busca de alternativas para essa apresentação dos projetos executivos. Liderados pelo Secretário da Habitação, e pelo Prefeito, foram feitas reuniões com vários empreendedores da região que tinham em seus empreendimentos contrapartidas a serem firmadas em favor da Prefeitura. E, a partir dessas contrapartidas, foram contratados os projetos executivos complementares, e firmado o termo de convênio para a execução das Obras, e, finalmente,  em 27/08/2021 o Governador veio pessoalmente assinar o termo de início da contratação das obras, conforme noticiado pelo Site da Granja. ” 

Caio e Ruth Portugal

CEO e COO da GP Desenvolvimento Urbano, respectivamente

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Para iniciar a coluna “De Olho na Raposo”, que será um fórum online de discussões sobre Mobilidade e Raposo Tavares, convidamos Caio e Ruth Portugal, sócios da GP Desenvolvimento Urbano que atua na região da Rodovia Raposo Tavares desde 1979 e foi a empresa parceira da Prefeitura de Cotia na elaboração do Plano de Mobilidade da Raposo Tavares, que está em andamento.